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Entrevista com Professor Dr. Jeremias Campos Simões – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Professor Dr. Jeremias Campos Simões.

Professor Dr. Jeremias Campos Simões É membro do Laboratório de Investigação em Atenção Psicossocial (LIAPS). 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica foi construída na interface entre Enfermagem, Saúde Coletiva, Saúde Mental e processos de trabalho. Sou Doutor e Mestre em Saúde Coletiva pela UFES e, atualmente, atuo como Professor do Magistério Superior da Universidade Federal Fluminense, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Ao longo desse percurso, venho me dedicando a compreender as relações entre trabalho, saúde, sofrimento e organização dos serviços, com estudos que abordam temas como saúde mental, Burnout, precarização e vivências de prazer-sofrimento no trabalho. A possibilidade de coordenar este GT representa, portanto, uma continuidade dessa trajetória e uma oportunidade de ampliar esse debate para o campo da educação e do trabalho docente.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

A possibilidade de diálogo interdisciplinar. A educação não pode ser pensada de forma isolada, especialmente diante das transformações contemporâneas do mundo do trabalho. O evento cria um espaço importante para aproximar diferentes áreas do conhecimento e produzir reflexões críticas sobre os desafios que atravessam a educação, os trabalhadores e as instituições.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Considero que um dos principais desafios é compreender o sofrimento docente para além de uma questão individual. É necessário analisar como as formas contemporâneas de organização e gestão do trabalho, marcadas pela intensificação, cobrança por produtividade, precarização e múltiplas demandas, repercutem sobre a saúde e a vida dos trabalhadores da educação. O desafio é, portanto, construir uma leitura crítica que articule as dimensões subjetivas, institucionais, sociais e políticas do trabalho docente.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha principal dica é partir de uma pergunta que realmente provoque inquietação. Um texto de qualidade não precisa necessariamente trazer um tema completamente inédito, mas precisa propor um olhar novo sobre um problema relevante. Recomendo também aproximar teoria e realidade, dialogar com diferentes áreas do conhecimento e, principalmente, não ter medo de fazer perguntas que ultrapassem os limites tradicionais da própria área. A interdisciplinaridade pode ser justamente o caminho para produzir análises mais criativas, críticas e socialmente relevantes.

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