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Entrevista com Silvanir Destefani Sartori – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Silvanir Destefani Sartori.

Silvanir Destefani Sartori Pesquisa temas relacionados a Direito, relações de trabalho, racionalidade neoliberal, gênero e saúde. Integrante do Laboratório de Estudos de Identidades e Tecnologias (LEIDTEC)

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica foi construída a partir do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Sou bacharel em Administração e em Direito, mestre em Administração e doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo. Ao longo desse percurso, fui percebendo que questões relacionadas ao trabalho, às organizações e às relações sociais não podem ser compreendidas de forma isolada. Minha formação em Administração aproximou-me dos estudos sobre organizações e trabalho; o Direito ampliou meu olhar para as relações jurídicas e para a proteção social; e as Ciências Sociais possibilitaram uma compreensão mais crítica das transformações contemporâneas. É nesse cruzamento que se consolidaram meus interesses de pesquisa, especialmente em torno das relações de trabalho, da racionalidade neoliberal, das questões de gênero e da saúde. A coordenação do GT representa, portanto, uma continuidade dessa trajetória interdisciplinar e uma oportunidade de ampliar o diálogo com pesquisadores de diferentes áreas.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

A possibilidade de estabelecer um espaço de diálogo entre diferentes perspectivas sobre a educação. A educação é atravessada por questões sociais, econômicas, políticas, culturais e institucionais que não podem ser analisadas a partir de uma única área do conhecimento. Nesse sentido, considero especialmente importante a proposta de reunir pesquisadores em torno de temas contemporâneos e socialmente relevantes. Também me chamou atenção a possibilidade de transformar o debate acadêmico em um espaço de construção coletiva, no qual diferentes experiências e perspectivas possam se encontrar. Para mim, participar do CAEduca significa contribuir para esse diálogo e, ao mesmo tempo, aprender com pesquisadores que investigam a educação a partir de outros lugares teóricos e metodológicos.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Considero que um dos principais desafios é compreender que o sofrimento relacionado ao trabalho docente não pode ser reduzido a uma questão individual. Em um contexto marcado pela racionalidade neoliberal, professores são cada vez mais submetidos a demandas relacionadas à produtividade, desempenho, resultados, avaliação permanente e responsabilização individual. Ao mesmo tempo, muitas vezes precisam lidar com a precarização das condições de trabalho, com a intensificação das atividades e com expectativas que ultrapassam aquilo que seria propriamente sua função pedagógica. O desafio, portanto, é compreender como essas transformações estruturais repercutem na experiência cotidiana dos docentes e nas relações que estabelecem com o trabalho. Isso exige um olhar interdisciplinar, capaz de articular educação, trabalho, Direito, Administração, Sociologia e saúde, evitando transformar problemas coletivos em responsabilidades exclusivamente individuais.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Não ter medo de ultrapassar as fronteiras tradicionais de sua própria área de conhecimento. Um texto inovador não precisa necessariamente apresentar uma teoria completamente inédita; muitas vezes, a inovação está na maneira como formulamos uma pergunta, estabelecemos relações entre diferentes autores ou olhamos para um problema conhecido a partir de uma nova perspectiva. Por isso, eu recomendaria começar por uma questão que realmente provoque o pesquisador e, a partir dela, buscar um diálogo consistente com a literatura e com a realidade investigada. Também considero fundamental escrever com clareza, rigor e responsabilidade, sem transformar o texto acadêmico em algo desnecessariamente complexo. E, sobretudo, participar dos espaços coletivos de discussão: ouvir outras perspectivas, receber críticas e dialogar com pesquisadores de diferentes áreas é uma das melhores formas de amadurecer uma pesquisa e produzir conhecimento relevante.

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