O entrevistado da vez é Celso Gabatz.

Celso Gabatz Membro da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR); da Associação dos Cientistas Sociais de Religião da América Latina (ACSRAL) e da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS). Pesquisador Associado do Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura (CLAEC). Faz parte do Conselho Editorial da Editora TerriED. Integra o Grupo de Pesquisa Teologia Pública em Contexto Latino-Americano da PUC-PR. Coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq ‘Identidades e Sociabilidades Religiosas Contemporâneas’ vinculado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdades EST. Possui laços de parceria e intercâmbio com pesquisadores de instituições acadêmicas da Espanha, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Costa Rica e Uruguai.
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
É sempre uma alegria participar e contribuir com as ações desenvolvidas pelo CAEduca. Destaco de forma especial a dinâmica que é preconizada pelo evento e que reforça o compromisso para com a democratização, produção e disseminação do conhecimento a partir de temas e conteúdos relevantes para o debate atual. A minha inserção enquanto parte da equipe de coordenação do GT 07 – Educação Contemporânea: Desafios, Inovação e Transformação Social – se consolida a partir da experiência e trajetória nas áreas da Sociologia, Filosofia, Educação e Teologia, particularmente, em relação a temas relacionados às religiões e religiosidades e suas conexões com a diversidade, identidades, fundamentalismos, intolerâncias, direitos humanos, laicidade, questões de gênero e a instrumentalização da religião no espaço público.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
Eu destacaria de forma mais incisiva o esboço programático do evento por meio do seus diferentes espaços de interlocução. As conferências, palestras, mesas temáticas e grupos de trabalho. A busca constante por parte da organização do CAEduca pela troca de saberes em um ambiente privilegiado e propício ao diálogo, interação e partilha de conhecimentos a partir da experiência que cada qual assimila no cotidiano de suas sociabilidades. Entre os aspectos que me parecem fundamentais na atual conjuntura, destaco os desafios de uma mediação do conhecimento a partir de uma visão multidisciplinar e em permanente vinculação com as interrogações do mundo por meio de uma inserção que permita a responsabilidade coletiva com vistas a uma plena cidadania.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
Entendo que uma das questões essenciais à educação contemporânea são as demandas em torno da interdisciplinaridade. Esta realidade necessita ser compreendida no contexto de uma sociedade que, aos poucos, vai descobrindo caminhos e exercitando novos protagonismos e pertenças identitárias na esteira daquilo que a tecnologia consegue oferecer. As reflexões educacionais a partir de temas atuais deveria suscitar meios para descortinar a abrangência de um conhecimento sempre preocupado em garantir o respeito à diversidade e o desenvolvimento com liberdade. Acredito ser necessário falar de uma lógica excludente que continua sendo sublinhada nos diferentes espaços sociais da realidade brasileira. A educação contemporânea deveria respaldar uma percepção crítica, propositiva e dialogal em seus diferentes espaços de interação.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
A despeito dos inúmeros desfios recorrentes na sociedade atual, devemos nos esforçar para divisar possibilidades de intervenção humana, criativa, solidária, cooperativa. É preciso encontrar caminhos para ações que permitam reinventar as formas de ser e estar no mundo, superando crises, instaurando uma ordem mais equilibrada, mesmo que as adversidades estejam presentes no cotidiano das interações sociais. A produção do conhecimento por meio de reflexões propostas em textos é uma oportunidade para descortinar horizontes de transformação. Somos desafiados a lutar por ideais, abraçar causas, romper nossas zonas de conforto. Fazer da própria palavra um instrumento que coloque abaixo as estruturas sociais perversas (de)marcadas pelo individualismo, a meritocracia e a competição. É primordial nos dispormos a construir uma sociedade mais solidária e um mundo sem tanto ódio e insensatez.
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