O entrevistado da vez é Rita Sena.

Rita Sena Doutoranda em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Mestre em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal do Amapá (IFAP). Graduada em Administração Pública pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), com especializações em Educação Profissional, Autismo e Docência na Educação Profissional e Tecnológica. Professora efetiva da Secretaria de Estado da Educação do Amapá (SEED) e docente da Faculdade Madre Tereza, atuando nos cursos de Administração e Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos. Integra a Comissão Editorial da Revista Científica da Escola de Saberes Públicos (ESAP). Desenvolve pesquisas nas áreas de políticas públicas, educação, inclusão, acessibilidade, pessoa com deficiência, educação profissional, empreendedorismo e mundo do trabalho, com ênfase na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas voltadas à garantia do direito à educação, à inclusão social e à equidade, Co autora no livro autismo acolhendo mentes complexas com o Dr Algusto cury.
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
Minha trajetória acadêmica é profundamente marcada pela minha própria experiência com a educação. Sou uma pessoa com deficiência e fui diagnosticada com autismo já na vida adulta. Ao longo da minha formação, enfrentei dificuldades de aprendizagem e senti, na prática, a ausência de metodologias que considerassem diferentes formas de aprender. Essa experiência despertou em mim o interesse em compreender e pesquisar uma educação mais inclusiva. Sou graduada em Administração, especialista em Educação Profissional, mestre em Educação Profissional e Tecnológica e atualmente doutoranda em Políticas Públicas pela UFPI. Minha atuação profissional e acadêmica passou, então, a se voltar cada vez mais para inclusão, acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência. Hoje, vejo minha trajetória como um caminho de transformar uma experiência pessoal em pesquisa, conhecimento e contribuição social.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
O que mais me chamou atenção no CAEduca foi justamente a possibilidade de construir conhecimento de forma coletiva e interdisciplinar. A educação não acontece de maneira fragmentada, e os problemas que enfrentamos também não são exclusivamente pedagógicos. Questões como inclusão, acessibilidade, direitos, trabalho, tecnologia e políticas públicas se cruzam o tempo todo. Vejo o CAEduca como um espaço que permite aproximar diferentes áreas do conhecimento e, principalmente, aproximar a produção acadêmica das necessidades concretas da sociedade. Para mim, esse diálogo é fundamental: a pesquisa precisa ultrapassar os limites da universidade e contribuir para compreender e transformar a realidade.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
O principal desafio é fazer com que a inclusão deixe de ser compreendida apenas como um discurso ou como uma responsabilidade específica de determinados profissionais e passe a ser assumida como um compromisso institucional. Quando falamos de Educação Inclusiva, Acessibilidade e Direitos das Pessoas com Deficiência, estamos falando também de currículo, formação docente, gestão, infraestrutura, tecnologia, políticas públicas e, sobretudo, de garantia de direitos. A interdisciplinaridade é indispensável porque nenhuma dessas dimensões funciona isoladamente. O grande desafio, portanto, é transformar o reconhecimento da diversidade em práticas concretas, capazes de garantir não apenas o acesso à educação, mas também a permanência, a participação e a aprendizagem.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Minha principal dica é: não escreva apenas sobre aquilo que você estudou; escreva também a partir daquilo que você observa e se inquieta na realidade. Um bom texto acadêmico começa, muitas vezes, com uma pergunta que ainda não encontramos uma resposta satisfatória. A partir dela, é importante buscar referências sólidas, dados, diferentes perspectivas e estabelecer um diálogo verdadeiro entre teoria e prática. Também acredito que inovação não significa necessariamente falar sobre algo que nunca foi estudado, mas olhar para um problema conhecido por uma perspectiva diferente e produzir uma reflexão que possa contribuir para transformá-lo. E, acima de tudo, não ter medo de colocar sua própria experiência e suas inquietações como ponto de partida para a pesquisa.
Gostou da entrevista? Não esqueça de comentar e compartilhar.
Para mais informações sobre o CAEduca e se cadastrar para novidades, visite o site www.caeduca.com




