A entrevistada da vez é Ivone Laurentino dos Santos.

Ivone Laurentino dos Santos Filósofa, Psicóloga, com formação em Psicanálise Clinica (fã incondicional de Freud e Lacan). Doutora em Bioética (UnB); Residência concluída em Saúde Mental do Adulto (ESPDF). Especialista em “Psicanálise do Século 21” – FAAP (2022). Dentre os livros publicados, recomendo a obra “Indisciplina e Resistência na Escola: uma descrição fenomenológica”. Editora Juruá, 2021.
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
Sou professora de filosofía e ética; com residência concluida em Saúde Mental (atuação no SUS); mestre em psicologia e Doutora em bioética. Defendi minha tese de doutorado em 2014, numa das melhores universidades do país e, até então, os meus textos decorriam de necessidades e obrigações ditadas pelos cursos que fiz. Em 2017, quando decidi fazer uma segunda graduação, no sentido de realizar o sonho de me tornar psicóloga, o meu campo de visão ampliou-se significativamente, de modo que intensificou-se em mim o interesse por temas contemporâneos mais diversificados e complexos. Foi nesse contexto que conheci, em 2019, o CAED-Jus e o CAEDUCA, espaços democráticos de produção intelectual, onde tenho a possibilidade de publicar meus textos, que transitam entre as áreas de humanas, do direito (com destaque para os direitos humanos), educação e saúde. No CAEduca me sinto em casa, e, extremamente feliz pela oportunidade de continuar aprendendo, ao mesmo tempo em que posso contribuir para a formação de outros profissionais e/ou pessoas interessadas nos temas pesquisados e apresentados em Congressos internacionais.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
O projeto CAEduca é bem interessante. O acesso facilitado a publicação de livros impressos; a competência e comprometimento dos profissionais envolvidos e a escolha criteriosa dos GTs animam o meu desejo de contribuir para a produção científica do Brasil e até do mundo, visto que se trata de um evento de impacto internacional. O CAEduca me deixa entusiasmada e motivada para a produção acadêmica, que, de modo geral, é vista, como atividade restrita a algumas pessoas. Também me agrada bastante a qualidade do site CAEduca, bem como a organização cuidadosa de cada evento, sempre pautada no cumprimento de editais publicados com a devida antecedência. Enfim, o CAEduca, no meu ponto de vista, demonstra, na prátíca, que ciencia de qualidade pode e deve ser feita com transparência e ética.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
Edgar Morin nos deixou um grande legado, nos motivando a pensar sobre a educação do futuro, que deve ser transformadora, democrática e articulada com os direitos humanos. Pensar a educação na contemporaneidade, entretanto, não é uma tarefa das mais fáceis. Vivemos tempos difíceis, sombrios e tenebrosos; tempos de guerra; de violência; corrupção desmedida, de estruturas institucionais que promovem o assédio moral e sexual, de fake news, deep fakes, de desemprego; de polarização política e acirramento das disputas de classe. Para completar, a pandemia da Covid-19 deixou estragos irreparáveis a curto prazo, causando desesperança e infelicidade e prejudicando gravemente a já precária qualidade de vida dos mais vulneráveis. O grande desafio do GT: “Educação Contemporânea: Desafios, Inovação e Transformação Social” é promover o debate sobre uma proposta de educação libertadora, humanista, voltada para a promoção da paz, que tenha como escopo, portanto, a reflexão sobre a necessidade urgente de resgate da dignidade humana de todos os brasileiros. Trata-se da defesa incondicional de uma educação emancipadora, com potencial para ampliar a nossa visão, no sentido de que, individual e coletivamente, assumamos a responsabilidade de pensar críticamente a sociedade que temos, abrindo a possibilidade de construção de uma sociedade mais igualitária e justa, atenta aos interesses das gerações futuras.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Não é a primeira vez que tenho a felicidade e a honra de coordenar um GT no CAEduca e, asseguro, mais uma vez e sem medo de errar, que se trata de uma oportunidade única de compartilhamento de saberes. No meu caso, a coordenação de um GT, de âmbito internacional, tem impactado positivamente na qualidade das minhas produções individuais. O fato é que, ao produzirmos juntos, aprendemos mais e melhor. Na prática, a avaliação de temas, desenvolvidos por outrem, tem ampliado bastante o alcance da minha visão, melhorando, inclusive, a qualidade das minhas produções; nesses anos todos em que fui selecionada para coordenar os Congressos, seja CAEduca, seja CAED Jus, jamais deixei de contribuir também como autora. A novidade nessa edição é a oportunidade de coordenar um GT sobre uma educação libertadora e transformadora, tema muito caro para quem, como eu, se dedica ao estudo da obra do filósofo brasileiro Paulo Freire, aclamado mundialmente como “pedagogo da liberdade”.
5. Bom, outras pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Escrever é uma arte, resultado de inspiração, mas também de transpiração. Muitas obras primas foram primeiramente rascunhadas; então, insista, escreva e reescreva o seu texto quantas vezes for necessário. Para tanto, conte com a ajuda imprescindível dos avaliadores; nesses anos todos, em cada uma das produções que enviei para o CAEduca o parecer (contribuições) do avaliador foi imprescindível para a qualidade final do texto. Sendo assim, aposte em você e no seu potencial como autor ou autora; ou seja, persista na produção do texto e o resultado dará muito certo. Ah, e evite deixar para a última hora: tempo é fundamental, se levarmos em consideração a necessidade de burilar nossas ideias, lapidando-as, no sentido de alcançarmos a qualidade que desejamos e de comunicá-las, da melhor forma possível.
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