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Entrevista com Luana Paula Peixoto Aglio dos Passos – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Luana Paula Peixoto Aglio dos Passos.

Luana Paula Peixoto Aglio dos Passos Possui trajetória de pesquisa marcada por diferentes temas e abordagens nas Ciências Sociais, com experiências anteriores voltadas ao estudo sobre as juventude, identidades, trabalho e antropologia do consumo. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre gênero, trabalho intelectual, educação e antropologia digital, com foco nas relações entre mulheres, produção de conhecimento e plataformas digitais. É integrante do Laboratório de Antropologia Computacional (Data Kula Lab). 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica foi construída de forma interdisciplinar e muito relacionada às questões pertinentes ao mundo do trabalho e à educação. Minha formação começou na Ciências Sociai e depois voltou-se para Educação Profissional e Administração, área em que realizei o mestrado na UFES, com uma pesquisa qualitativa e de inspiração etnográfica sobre trajetórias de consumo e venda de cosméticos. Posteriormente, minha formação em Ciências Sociais ampliou meu olhar para questões relacionadas à cultura, às relações sociais e às experiências dos sujeitos. Atualmente, no doutorado em Ciências Sociais da UFES, pesquiso mulheres intelectuais e a produção de conteúdo científico nas plataformas digitais, articulando gênero, trabalho intelectual e mídias sociais. Paralelamente à trajetória acadêmica, minha atuação na educação básica tem sido fundamental para aproximar pesquisa e cotidiano escolar. A seleção para coordenar o GT representa, portanto, a possibilidade de colocar em diálogo essas diferentes experiências.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou atenção no CAEduca foi justamente a possibilidade de aproximar a produção acadêmica dos desafios cotidianos da atuação docente e da gestão escolar. A proposta de reunir pesquisadores e profissionais em torno de diferentes temáticas permite compreender que os problemas educacionais não podem ser analisados de forma isolada. Como professora e pesquisadora, considero especialmente potente essa aproximação entre universidade, escola e sociedade, porque permite que a pesquisa não fique restrita ao espaço acadêmico, mas contribua para compreender e transformar realidades.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Um dos principais desafios é compreender o trabalho docente para além da responsabilização individual pelo desempenho. A lógica neoliberal tem intensificado a cobrança por resultados, metas numéricas e indicadores, fazendo com que a qualidade do trabalho seja frequentemente reduzida ao cumprimento de números e resultados mensuráveis. Nesse contexto, é fundamental analisar como essas exigências impactam as condições de trabalho e produzem sobrecarga e sofrimento, sem individualizar problemas que também são estruturais e institucionais.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Uma dica é aproveitar aquilo que se vive como ponto de partida para a pesquisa. Muitas boas perguntas surgem do cotidiano, das experiências profissionais e das situações que nos provocam. A partir delas, é importante criar o hábito de sistematizar as leituras, fazer resumos, registrar ideias e conexões que possam amadurecer ao longo do tempo. Também vale buscar aproximações entre temas que, à primeira vista, parecem distantes e colocar diferentes autores e perspectivas em diálogo. Muitas vezes, a inovação não está em encontrar um tema completamente novo, mas em estabelecer uma conexão diferente e produzir um olhar próprio sobre uma questão que já existe.

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