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Entrevista com Carlos Nogueira aucélio – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Carlos Nogueira aucélio.

Carlos Nogueira aucélio autor do livro Neurociência e Sociedade; Curador do Museu de anatomia da área de  Morfologia da Faculdade de Medicina da UnB), Coordenador do CNAT (Centro de Neuroanatomia Translacional)

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica sempre foi marcada pela busca de uma integração entre diferentes áreas do conhecimento. Sou professor da Universidade de Brasília, na área de Neurociências, e ao longo da minha carreira tenho procurado aproximar o conhecimento científico da formação acadêmica, da prática docente e das demandas concretas da sociedade.

Desde 2023, venho participando ativamente das atividades do CAEduca e do CAEdJus, contribuindo na organização de livros, na construção de capítulos, na participação e realização de palestras e, principalmente, na orientação de alunos para a elaboração e apresentação de trabalhos científicos nesses congressos.

Essa experiência foi muito importante porque me permitiu perceber que a educação contemporânea não pode ser pensada de forma isolada. Ela precisa dialogar com a ciência, a tecnologia, a saúde, o direito, a cultura e as transformações sociais.

A seleção para coordenar o GT 07 — “Educação Contemporânea: Desafios, Inovação e Transformação Social” — representa, portanto, uma continuidade natural dessa trajetória. Recebo essa responsabilidade com entusiasmo, mas também com o compromisso de contribuir para que o grupo seja um espaço de diálogo, produção científica e construção de novas possibilidades para a educação.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou atenção no CAEduca foi justamente a sua capacidade de promover o encontro entre diferentes saberes e diferentes pessoas em torno de uma questão comum: pensar e transformar a educação.

Em muitos espaços acadêmicos, ainda encontramos uma certa fragmentação do conhecimento. O CAEduca, ao contrário, estimula o diálogo interdisciplinar e possibilita que pesquisadores, professores e estudantes de diferentes áreas compartilhem experiências, perspectivas e propostas.

Também considero muito importante a oportunidade de transformar a produção acadêmica em diálogo. Não se trata apenas de publicar um texto, mas de colocar ideias em circulação, ouvir diferentes perspectivas e construir novos conhecimentos coletivamente. Minha participação desde 2023 reforçou essa percepção. Ao acompanhar a produção de livros, capítulos, palestras e trabalhos apresentados nos congressos, pude observar o potencial que o CAEduca possui para estimular jovens pesquisadores e aproximar a universidade das questões que realmente desafiam a sociedade.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Acredito que o principal desafio da Educação Contemporânea seja acompanhar a velocidade das transformações sociais, científicas e tecnológicas sem perder aquilo que é essencial no processo educativo: a formação humana.

Vivemos em uma época em que a inteligência artificial, as novas tecnologias, as mudanças nas relações sociais e as descobertas científicas estão transformando rapidamente a maneira como aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos. A educação não pode simplesmente reagir a essas mudanças; precisa compreendê-las e, quando possível, antecipá-las.

Por isso, penso que inovação educacional não significa apenas incorporar novas tecnologias à sala de aula. Significa também repensar metodologias, relações pedagógicas, currículos e formas de produzir conhecimento.

A grande questão é encontrar um equilíbrio entre inovação e humanização. Precisamos formar pessoas capazes de utilizar criticamente as novas tecnologias, mas também capazes de pensar, criar, questionar, estabelecer relações, exercer cidadania e transformar a realidade. É nesse ponto que a interdisciplinaridade se torna fundamental. A educação contemporânea precisa dialogar com as Neurociências, a Psicologia, a Saúde, o Direito, a Tecnologia, as Ciências Sociais e tantas outras áreas. O desafio do GT 07 é justamente contribuir para esse diálogo e transformar diferentes perspectivas em conhecimento capaz de produzir impacto social.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha principal dica seria: não escrevam apenas para cumprir uma exigência acadêmica. Escrevam porque existe uma pergunta que realmente os inquieta.

Um bom texto científico começa com uma boa pergunta. Depois, é preciso estudar profundamente o tema, conhecer o que já foi produzido, identificar lacunas e, principalmente, ter coragem intelectual para propor uma perspectiva própria.

Qualidade também exige cuidado com a metodologia, clareza na escrita, fundamentação científica e respeito às normas acadêmicas. Mas inovação não significa necessariamente descobrir algo completamente novo. Muitas vezes, inovar é olhar para um problema conhecido por uma perspectiva diferente, estabelecer uma conexão inesperada entre áreas do conhecimento ou trazer uma questão científica para mais perto da realidade social.

E deixaria uma última recomendação aos estudantes e pesquisadores: leiam muito, escrevam, aceitem críticas e reescrevam. A primeira versão raramente é a melhor. A qualidade nasce do processo de amadurecimento das ideias. No final, um trabalho realmente relevante é aquele que, além de apresentar conhecimento, consegue provocar uma reflexão no leitor e abrir novas perguntas. É isso que, na minha visão, transforma um texto acadêmico em uma verdadeira contribuição para a sociedade.

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