O entrevistado da vez é Patricia Rangel de Almeida.

Patricia Rangel de Almeida Participou do CAEduca 2023 com o trabalho “Educação Empreendedora: Utopia ou Desafio?”, aprovado para apresentação
no Congresso. É palestrante internacional, founder e exit de uma EdTech, coautora de quatro livros sobre empreendedorismo e criadora do MBA MIRIM, metodologia de educação empreendedora e inovação voltada a crianças e jovens de 7 a 17 anos, estruturada em cinco pilares e desenvolvida em alinhamento à BNCC. Possui ainda experiência na concepção de soluções educacionais digitais em larga escala e atuação acadêmica e profissional nas áreas de educação, empreendedorismo, inovação, tecnologia e desenvolvimento de competências.
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
Minha relação com a Educação foi construída por meio de experiências com ensino, educação corporativa, tecnologia educacional e desenvolvimento de metodologias de aprendizagem. Essa prática despertou questões que passei a aprofundar academicamente. Fiz formação em Design Instrucional e Neurociências Aplicadas à Educação, concluí o mestrado em Tecnologias Emergentes em Educação e atualmente curso o doutorado em Educação. Em 2023, participei do CAEduca com o trabalho “Educação Empreendedora: Utopia ou Desafio?”, aprovado para apresentação. Retornar em 2026, agora como coordenadora do GT Educação Empreendedora, Inovação e Competências Futuras, representa a continuidade e o amadurecimento de uma trajetória que venho construindo há anos.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
O que mais me chamou atenção no CAEduca foi sua capacidade de promover o encontro entre diferentes perspectivas da Educação. Minha primeira experiência no Congresso, em 2023, já mostrou a importância desse espaço de diálogo acadêmico e interdisciplinar. Hoje, diante das transformações provocadas pela tecnologia, pela inteligência artificial, pelas novas relações de trabalho e pelas mudanças sociais, considero ainda mais necessária a
existência de ambientes que permitam discutir não apenas o ensino, mas também quais competências serão necessárias para as próximas gerações. O CAEduca oferece essa oportunidade de aproximar pesquisa, prática, diferentes áreas do conhecimento e novas perguntas sobre o futuro da Educação.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
Um dos principais desafios é ampliar a compreensão sobre o que significa educação empreendedora. Ainda há uma associação muito forte entre empreendedorismo e criação de empresas, quando falamos também de autonomia, criatividade, resolução de problemas, comunicação, tomada de decisão, colaboração e capacidade de adaptação. Ao integrar inovação e competências futuras, o desafio aumenta, pois estamos preparando pessoas para um mundo em rápida transformação. A Educação precisa equilibrar conhecimento, desenvolvimento humano e tecnologia, formando indivíduos
capazes de compreender mudanças, agir de forma crítica e construir novas soluções.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Minha principal recomendação é começar pela pergunta, e não pelo texto. Um bom trabalho acadêmico nasce de uma questão relevante, de algo que provoca curiosidade e que merece ser compreendido com maior profundidade. A inovação não está em encontrar um tema completamente novo, mas muitas vezes em estabelecer novas conexões, olhar um problema conhecido sob outra perspectiva ou aproximar áreas que normalmente são estudadas separadamente. Também acredito muito na relação entre teoria e realidade. A pesquisa precisa ter rigor metodológico e fundamentação, mas pode e deve dialogar com problemas concretos. E, acima de tudo, o pesquisador precisa manter a curiosidade, a disposição para questionar suas próprias certezas e a abertura para encontrar respostas diferentes daquelas que imaginava no início.
5) Sua trajetória reúne Educação, tecnologia e empreendedorismo. Como essas áreas se relacionam em sua visão sobre o futuro da Educação?
Para mim, Educação, tecnologia e empreendedorismo estão cada vez mais conectados. A tecnologia amplia possibilidades de acesso, personalização e criação de novas experiências de aprendizagem, mas não substitui a intencionalidade pedagógica. Precisamos primeiro compreender que tipo de pessoa queremos ajudar a formar e quais competências serão necessárias para que ela possa atuar em contextos de mudança permanente. É nesse ponto que a educação empreendedora assume um papel importante, porque estimula protagonismo, criatividade, iniciativa, resolução de problemas e capacidade de transformar conhecimento em ação. O futuro da Educação, em minha perspectiva, não está simplesmente em ensinar mais tecnologia, mas em preparar pessoas para utilizá-la de forma crítica, ética, criativa e responsável.
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