A entrevistada da vez é Michele Vígari.

Michele Vígari Pesquisadora da Primeira Infância. Pedagoga. Doutora em Educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO), na linha de Cotidiano Escolar, Práticas Educativas e Formação de Professores. Mestra em Educação pela Universidade de Sorocaba (UNISO). PósGraduada em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia. Atualmente é professora de Educação Básica – Primeira Infância – Professora de Creche – da Prefeitura Municipal de Sorocaba. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Infantil, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, prática docente, educação infantil, creche, educação especial e orientação de pais. Membro do Grupo de Pesquisa GEDECE – Grupo de Estudos e Pesquisas em Democracia, Ecologias e Cotidianos Escolares com meu orientador Prof. Dr. Rodrigo Barchi, no qual é integrado à REISA – Rede de Laboratórios e Grupos de Pesquisa em Educação, Imagens, Sons e Afetos. Os estudos e pesquisas internacionais estão voltados à Educação..
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
Minha abordagem acadêmica foi profundamente moldada pelo meu cotidiano como professora de creche, especialmente nos encontros com crianças da Educação Especial. As experiências reais, muitas vezes marcadas pela falta de apoio, pelas desigualdades e pelos desafios da inclusão, me atravessaram de forma muito intensa. Além disso, minha trajetória de 27 anos na Educação, somada às leituras críticas sobre neoliberalismo, formação docente e infância, contribuíram para a construção de uma perspectiva que valoriza o cotidiano, as narrativas e a escuta sensível como produção de conhecimento.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
O que me chamou atenção no CAEduca foi por ser um espaço fundamental de formação crítica e interdisciplinar, que possibilita o diálogo na Educação. Ele contribui para formar profissionais mais sensíveis às questões sociais, capazes de compreender que a Educação não é neutra, mas atravessada por realidades complexas. Esse espaço amplia olhares e fortalece a construção de práticas mais comprometidas com a justiça social.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
O principal desafio é tornar visíveis as realidades que muitas vezes são invisibilizadas, como o cotidiano da Educação Infantil e da Educação Especial. Além disso, é romper com visões fragmentadas, que não consideram a complexidade das relações sociais. Pensar o direito de forma interdisciplinar exige reconhecer que políticas públicas e Educação estão profundamente conectadas.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Uma dica final seria: não tenham medo de experimentar e nunca deixem de lado a clareza e a autenticidade. Um texto de qualidade não precisa usar palavras difíceis; precisa ter uma ideia bem construída, argumentos consistentes e uma voz própria. Para inovar, procurem novos ângulos, questionem o que já é dado como certo e relacionem ideias de áreas diferentes. E, antes de finalizar, releiam o texto como se fossem o leitor: “Isto acrescenta alguma coisa? Está claro? Desperta interesse?” Se a resposta for sim, estão no caminho certo.
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