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Entrevista com Fábio Lucas de Albuquerque Lima – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Fábio Lucas de Albuquerque Lima.

Fábio Lucas de Albuquerque Lima Doutorando em Direito e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Professor do IDP (Brasília) e da Faculdade ANASPS, nas áreas de Direito Previdenciário, Direito Financeiro e Inteligência Artificial aplicada ao Direito Público. Editor-Chefe da Revista ANPPREV de Seguridade Social (RASS). Editor científico certificado pela ABEC Brasil. Membro fundador do IDAS. Membro da Comissão de Agentes Públicos do IBDA. Autor de Elementos de Direito Administrativo Disciplinar e Teletrabalho Jurídico.

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória foi construída na confluência entre a prática e a reflexão sobre temas teóricos. Sou Procurador Federal desde 1998 e, ao longo dessas quase três décadas de advocacia pública, percebi que os problemas enfrentados cotidianamente pelas instituições — da previdência social ao processo administrativo sancionador — exigem mais do que o conhecimento da legislação: pedem muito estudo e conhecimento interdisciplinar.

A atividade editorial veio como desdobramento natural desse percurso: hoje sou Editor-Chefe da Revista ANPPREV de Seguridade Social e editor científico certificado pela ABEC Brasil. A coordenação de um GT no CAEduca é, nesse sentido, a continuidade de um caminho que sempre compreendeu a educação como via de mão dupla entre a academia e as instituições. 

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou a atenção no CAEduca é a sua capacidade de democratizar o espaço acadêmico sem abrir mão do rigor científico. Trata-se de um congresso que reúne pesquisadores consolidados e iniciantes, de diferentes regiões do país e do exterior, em torno de Grupos de Trabalho verdadeiramente interdisciplinares. Destaco, ainda, a seriedade do processo editorial: os trabalhos apresentados não se perdem em anais efêmeros, mas se transformam em livros com corpo editorial qualificado, o que confere permanência e circulação à produção dos participantes. Já havia colaborado com projetos editoriais do CAED-Jus e pude constatar esse compromisso com a qualidade.

Destaco, ainda, a seriedade do processo editorial: os trabalhos apresentados não se perdem em anais efêmeros, mas se transformam em livros com corpo editorial qualificado, o que confere permanência e circulação à produção dos participantes. Já havia colaborado com projetos editoriais do CAED-Jus e pude constatar esse compromisso com a qualidade.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

A tecnologia avança em ritmo exponencial, enquanto a educação e o direito operam em tempos necessariamente mais lentos. A inteligência artificial generativa é o exemplo mais eloquente dessa tensão: pode ser poderosa ferramenta de aprendizagem, mas pode também erodir a autoria e o pensamento crítico se utilizada sem mediação pedagógica. Há diversas preocupações de fundo ético, com a possibilidade da substituição do trabalho humano pelas máquinas. Mitiga-se esse desafio com pesquisa, estudo e capacitação. Por isso estamos aqui discutindo a Educação e o Direito diante das novas tecnologias, principalmente da Inteligência Artificial.

Pensar a educação na sociedade digital exige, portanto, uma lente interdisciplinar: não se trata de escolher entre o entusiasmo e a resistência, mas de construir mediações normativas e pedagógicas que coloquem a tecnologia a serviço da formação humana — e não o contrário.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha dica é aparentemente simples: comece pela pergunta de pesquisa. Um texto de qualidade nasce de um problema claro, específico e exequível. Evitem-se perguntas que se respondem com um simples sim ou não, bem como juízos de valor disfarçados de pergunta. O conhecimento nasce da resolução de problemas, que, na ciência, é suscitada a partir de boas perguntas de pesquisa. Na pedagogia valorizam-se as relações de ensino e aprendizagem nas quais a curiosidade, o rigor metódico e a criatividade devem ser estimulados. No âmbito da ensinagem da Inteligência Artificial, a metacognição ou a meta-aprendizagem é a chave para o treinamento da máquina e para a descoberta de novas fronteiras para a construção de um mundo mais abundante, mas também muito solidário.

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