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Entrevista com Antocléia Santos – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Antocléia Santos.

Antocléia Santos Autora do livro: Ética, Políticas Sociais e Envelhecimento. Atuou como organizadora da Coleção dos Clássicos: Coletânea Clássicos da Filosofia, Coletânea Clássicos da Sociologia, Coletânea Clássicos da Política, Coletânea Clássicos da Cultura, Coletânea Clássicos do Direito e Coletânea Clássicos do Gênero, todos publicados pela Editora Pembroke Collins. É também coordenadora do GT – Educação em Direitos Humanos Ssobre Violência de Gênero do CAEduca 2026. 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica é multidisciplinar e articula Filosofia, Ciências Sociais, Educação e Saúde Coletiva. Sou licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão, especialista em Supervisão Escolar e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa, com título reconhecido pela Universidade Federal do Ceará. Minha tese investigou ética, política social e exclusão de pessoas idosas no Brasil, temática aprofundada no Pós-Doutorado em Saúde Coletiva, dedicado ao direito à saúde e ao cuidado dessa população.Minha experiência docente inclui atuação na Universidade Estadual do Maranhão, onde lecionei Filosofia, Ética e Cidadania e Trabalho de Conclusão de Curso, além do trabalho na Educação Básica estadual desde 1994. Também atuo como parecerista ad hoc de periódicos nacionais e internacionais. Integro o Conselho de Altos Estudos em Direito e o Conselho de Altos Estudos em Educação, espaços que fortalecem meu compromisso com debates interdisciplinares, excelência acadêmica e produção de conhecimentos socialmente relevantes para a sociedade contemporânea

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou a atenção no CAEduca foi seu caráter multidisciplinar, que possibilita o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e amplia a compreensão dos desafios educacionais contemporâneos. Destaco também a qualidade acadêmica dos eventos, a relevância dos debates e a oportunidade de estabelecer parcerias com pesquisadores e profissionais de diversas instituições. Essa articulação favorece a troca de experiências, o desenvolvimento de novas pesquisas e a construção coletiva de conhecimentos comprometidos com a transformação da educação e da sociedade.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Concebo como principal desafio o enfrentamento da naturalização da violência de gênero nos diferentes espaços sociais, inclusive nas instituições educacionais. Embora existam avanços legais e debates importantes, ainda persistem preconceitos, silenciamentos e práticas que reproduzem desigualdades. Nesse sentido, torna-se fundamental fortalecer a formação docente, inserir a Educação em Direitos Humanos no currículo e promover ações interdisciplinares que articulem escola, universidade, família, poder público e sociedade civil. O grande desafio é transformar conhecimentos e princípios legais em práticas educativas permanentes, capazes de prevenir violências, acolher vítimas e contribuir para a construção de relações mais justas, respeitosas e igualitárias.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha principal dica é escolher uma temática socialmente relevante, definir com clareza o problema de pesquisa e buscar uma fundamentação teórica consistente. Um texto de qualidade nasce da articulação entre leitura, organização, reflexão crítica e compromisso ético com as fontes utilizadas. Para inovar, não é necessário abandonar o conhecimento já produzido, mas estabelecer novos diálogos, formular perguntas pertinentes e analisar o objeto sob diferentes perspectivas. Também considero fundamental participar de espaços como o CAEduca, nos quais a troca de experiências e a interdisciplinaridade ampliam nosso olhar. Pesquisar e escrever exigem dedicação, mas também abertura para aprender, revisar e transformar ideias em conhecimentos capazes de contribuir com a educação e a sociedade.

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