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Entrevista com Alexandre Coelho – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Alexandre Coelho.

Alexandre Coelho Membro do Banco de Perfis para Lideranças na área de Comunicação Institucional do Programa Líderes que Transformam, da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Minha trajetória acadêmica é marcada pela interdisciplinaridade. Sou Doutor em Ciências da Religião e, ao longo do percurso, dediquei-me a compreender como diferentes sistemas sociais — a educação, o direito, a religião, a saúde — produzem sentido, incluem e excluem pessoas e se transformam. A teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann tornou-se o fio condutor desse caminho, permitindo-me investigar temas como direitos humanos, pluralismo, políticas públicas e, cada vez mais central, a aprendizagem. Como professor do Centro Universitário IESB e coordenador de grupo de pesquisa, aprendi que docência, orientação e investigação são atividades inseparáveis: é na sala de aula e na iniciação científica que as grandes teorias são postas à prova. Foi essa articulação entre teoria social de alto nível e problemas educacionais concretos que me conduziu à proposta do GT “Sistemas Educacionais e Aprendizagem Transformadora” — um espaço para observar a educação como um sistema complexo, e não como simples transmissão de conteúdo.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou a atenção foi a combinação entre rigor acadêmico e democratização da produção científica. O CAEduca é internacional, multidisciplinar, multiprofissional e 100% on-line — um formato que elimina barreiras geográficas e financeiras e coloca em diálogo pesquisadores consolidados, mestrandos, doutorandos e professores da educação básica de diferentes países. Impressiona também o cuidado com os resultados: a publicação do livro de cada GT com ISBN, o Prêmio CAEduca, as palestras de convidados doutores e as ferramentas de interação ao longo de todo o evento conferem uma consequência concreta ao trabalho dos autores. Além disso, o alcance da divulgação — que permanece disponível ao longo do ano — transforma o congresso em uma verdadeira plataforma permanente de circulação de conhecimento. É exatamente o tipo de ambiente de que a pesquisa educacional precisa: aberto, plural e exigente ao mesmo tempo.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

O principal desafio é superar os modelos lineares de causalidade entre ensino, aprendizagem e resultado, que já não explicam os dilemas educacionais contemporâneos: a crise global da aprendizagem — pois escolarização não equivale, necessariamente, à aprendizagem —, as desigualdades persistentes, a expansão acelerada da inteligência artificial e das plataformas digitais e as pressões por evidências e accountability. A teoria dos sistemas de Luhmann nos convida a observar a educação como um sistema social constituído por comunicações, expectativas e seleções, em acoplamento com a política, a economia, o direito, a família e a tecnologia. O desafio, portanto, é duplo: articular teoria social de alto nível com evidências empíricas rigorosas, sem reducionismos; e fazê-lo a partir dos problemas do Sul Global, colocando as agendas internacionais — Banco Mundial, OCDE, UNESCO — sob observação crítica, em vez de tomá-las como slogans. É esse espaço de investigação que o GT pretende construir.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha dica é começar por um problema bem delimitado: um bom texto não nasce de um tema amplo, mas de uma pergunta precisa, que mereça resposta. A partir daí, alguns cuidados fazem a diferença: a) consistência teórica — escolher um referencial e usá-lo de fato, e não apenas citá-lo; b) rigor metodológico — explicitar como os dados ou as fontes foram tratados; c) diálogo com a literatura internacional, que evita reinventar o que já foi dito e revela o que é original na contribuição; e d) clareza argumentativa, fruto de revisão paciente. A inovação, por fim, costuma nascer nas fronteiras: não tenham receio de cruzar disciplinas e de aproximar teorias exigentes de problemas concretos da escola, da política educacional e da tecnologia. E submetam seus trabalhos: iniciantes são muito bem-vindos, e é participando de espaços como o CAEduca que a escrita científica amadurece.

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