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Entrevista com Leandro Lucas Faccin – Coordenador de GT do CAEduca 2026

O entrevistado da vez é Leandro Lucas Faccin.

Leandro Lucas Faccin Pesquisador dedicado à crítica da reconfiguração do trabalho, das políticas sociais e da regulação jurídica contemporânea, com atuação em redes de pesquisa interdisciplinares focadas em transformações do capitalismo e tecnologias (NECC, LEIDTEC e DATA KULA LAB/UFES). 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

É um grande prazer e uma honra imensa integrar a equipe de coordenadores de Grupos de Trabalho do CAEduca 2026. Minha trajetória acadêmica é fundamentada em um diálogo contínuo e intencional entre o Direito e as Ciências Sociais. Iniciei minha formação com o bacharelado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e, impulsionado pela necessidade de compreender as estruturas materiais e sociopolíticas que conformam as normas jurídicas, cursei também a licenciatura em Sociologia (UNINTER).

 No Mestrado em Política Social pela UFES, aprofundei as pesquisas sobre as reconfigurações institucionais, o mundo do trabalho e a regulação social no Brasil, percurso que hoje consolido no Doutorado em Ciências Sociais (UFES). Ao longo desse caminho, tenho me dedicado à produção científica e à inserção em laboratórios interdisciplinares voltados à crítica do capitalismo contemporâneo, às identidades, tecnologias e métodos computacionais (NECC, LEIDTEC e DATA KULA LAB). A seleção para coordenar o GT 08 – Trabalho Docente, Neoliberalismo e Sofrimento representa um reconhecimento desse percurso e, ao mesmo tempo, um compromisso renovado com o debate crítico sobre a realidade educacional e as condições materiais de quem produz o conhecimento.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O que mais me chamou atenção no CAEduca foi a sua capacidade ímpar de aliar excelência acadêmica, internacionalização e democratização do conhecimento em um ambiente verdadeiramente interdisciplinar e colaborativo. A proposta de um congresso estruturado de forma dinâmica e inclusiva permite a aproximação e o intercâmbio qualificado entre pesquisadores em diferentes etapas da carreira — desde estudantes de graduação até pesquisadores consolidados de múltiplos centros de pesquisa.

Além disso, destaca-se a valorização da produção científica dos participantes por meio da publicação estruturada com registro internacional, bem como iniciativas que estimulam o engajamento coletivo e plural. Essa preocupação em romper fronteiras geográficas e institucionais faz do CAEduca um espaço ímpar para o fortalecimento da reflexão crítica e transformadora sobre a educação.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

O principal desafio da temática do nosso GT 08 – Trabalho Docente, Neoliberalismo e Sofrimento é desnaturalizar e combater os processos de precarização, intensificação laboral e sofrimento psicossocial que atravessam o cotidiano da docência na contemporaneidade. Em um cenário marcado pela hegemonia da racionalidade neoliberal, a educação é frequentemente submetida a lógicas gerenciais, metas de produtividade exacerbadas e financeirização, o que degrada as condições de trabalho e compromete a saúde mental de professoras e professores em todos os níveis de ensino. Pensar essa questão de maneira interdisciplinar exige articular as lentes da Sociologia do Trabalho, do Direito, da Psicologia e das Políticas Educacionais para entender que o adoecimento docente não é um problema individual, mas um sintoma estrutural das transformações sociopolíticas contemporâneas. O grande desafio, portanto, reside em produzir diagnósticos teóricos e empíricos rigorosos que deem visibilidade a essas contradições e que sirvam de base para a construção de resistências, políticas de valorização profissional e horizontes de emancipação pedagógica.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

Minha principal recomendação é que os pesquisadores partam de problemas reais e socialmente relevantes, enfrentando-os com rigor teórico-metodológico, clareza argumentativa e coragem interdisciplinar. As contribuições mais potentes e inovadoras surgem justamente quando ousamos transitar entre diferentes áreas do conhecimento para iluminar contradições concretas da realidade, mantendo sempre o cuidado com a precisão dos conceitos, uma bibliografia sólida e coerência na escrita. A pesquisa acadêmica ganha sentido pleno quando circula, é debatida e ouvida pelos pares. Por isso, incentivo todos a compartilharem suas investigações e faço um convite caloroso e especial a pesquisadores(as), docentes e estudantes para que submetam seus resumos e artigos ao nosso GT 08 – Trabalho Docente, Neoliberalismo e Sofrimento! Será um privilégio contar com as contribuições de vocês para construirmos diálogos ricos e transformadores no CAEduca 2026.

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