caeduca.com

Entrevista com Viviane Martiniuk – Coordenador de GT do CAEduca 2026

A entrevistada da vez é Viviane Martiniuk.

Viviane Martiniuk Ex-coordenadora do curso de Administração da FAIT/Itapeva-SP e ex-coordenadora regional da Escola Superior da Advocacia – ESA/SP – Núcleo 21. Foi professora de Metodologia do Trabalho Científico do curso de Psicologia da FAIT/Itapeva, além de ser professora transit[oria em outros cursos tal qual: Engenharia Elétrica e Civil; Fisioterapia; Educação Física e Pedagogia na mesma instituição. É autora de diversas publicações, além de capítulo de livro. É parecerista do IBEROJUR – Instituto Iberoamericado de Estudos Jurídicos) e professora revisora (ou peers) para congressos da UEPG – Universidade estadual de Ponta Grossa – PR (curso de Administração. 

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

Nasci em família humilde e semialfabetizada, cujos esforços, ainda que limitados por recursos financeiros, jamais foram poupados na busca pela educação dos filhos. Cursei toda a educação básica em escola pública, cenário compartilhado com os irmãos, e enfrentou a ausência de instituições públicas de ensino superior em sua região de origem. Diante dessa lacuna estrutural, ingressou em Administração, sua primeira formação, custeada por meios próprios. Durante pós-graduação em Gestão Empresarial e Marketing, e uma professora identificou em mim aptidão distinta para o Direito, indicação que redirecionou sua trajetória profissional. Conclui a graduação em Direito entre 2003 e 2004, período seguido por diversas especializações Lato Sensu. Atuou como servidora pública durante praticamente toda a vida profissional, até aprovação em concurso da UAB, marco que a conduziu definitivamente à advocacia, atividade exercida ininterruptamente até os dias atuais. Ingressou no mestrado pela UNIMEP movida pela vocação para o ensino, exercida há quinze anos entre magistério superior, ensino técnico e cursos de atualização e treinamento. Atualmente cursa doutorado na FADISP, Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo, com qualificação prevista para novembro de 2026. Rompendo as fronteiras tradicionais do Direito, foi aprovada no processo seletivo da UFSCar, campus Lagoa do Sino, em sua própria cidade, Buri, interior de São Paulo, onde insere o Direito na linha de pesquisa em Ruralidades e Agroecologia. Consolida-se, assim, como pesquisadora interdisciplinar nas áreas de Direito e Ciências da Natureza, com pretensão de aplicar essa produção acadêmica no CAEDUCA e no CAEDJUS, trabalhos estes que podem colaborar com a minha carreira me projetando como profissional no âmbito nacional. 

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

O modelo adotado pelo CAEduca e do CAED-Jus (que eu já participei) elimina as barreiras clássicas do congresso presencial. Ambos são realizados integralmente pela internet, o que suprime deslocamento, hospedagem e afastamento das atividades profissionais. O pesquisador participa de onde exerce sua advocacia ou seu magistério, sem interromper a rotina forense ou docente. A inscrição precede a submissão apenas na formalização; o pagamento ocorre após a aprovação do trabalho, de modo que ninguém investe recursos antes de ter a pesquisa acolhida. A organização em grupos de trabalho temáticos permite que cada autor identifique com precisão o espaço de debate adequado ao seu objeto, e a mediação dos coordenadores de GT confere ordem e densidade à discussão.

A submissão admite artigo completo ou resumo expandido, com coautoria, o que favorece a pesquisa colaborativa entre orientador e orientando, entre colegas de escritório e entre docentes de instituições distintas. A avaliação é feita pelos coordenadores de grupo segundo critérios de originalidade, mérito acadêmico, organização teórica e relevância jurídica ou educacional, o que preserva o rigor sem burocratizar o acesso. A apresentação se dá por vídeo, gravado pelo próprio autor, dispensando a exposição simultânea em horário rígido e permitindo que o expositor cuide da clareza e da estética da fala. O trabalho aprovado e apresentado é publicado em livro impresso e digital com ISBN.

A publicação com ISBN converte a participação em produção bibliográfica formalmente registrada, aproveitável em currículo Lattes, em processos seletivos docentes, em provas de títulos de concursos públicos e na comprovação de produção intelectual exigida em progressões acadêmicas. A certificação de horas soma-se ao acervo de formação continuada. A dimensão internacional dos conselhos e a circulação da obra entre os participantes ampliam a rede de interlocução para além do círculo local, o que interessa particularmente ao advogado que pretende consolidar autoridade temática. Para quem sustenta proposta de aperfeiçoamento do ordenamento jurídico, o congresso oferece algo que a peça processual não oferece: um espaço de teste da tese perante pares, com registro permanente e recuperável da autoria da formulação.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

O principal desafio reside em transpor as barreiras disciplinares tradicionais, superando a fragmentação do conhecimento acadêmico. Trata-se de articular teorias complexas e práticas sociais concretas sem perder o rigor científico. A efetivação dessa abordagem exige a superação de resistências institucionais arraigadas nas estruturas universitárias convencionais. É fundamental promover um diálogo horizontal entre saberes formais e empíricos, especialmente em contextos socioambientais vulneráveis. Outro obstáculo crítico é a formação de pesquisadores e docentes capacitados para atuar nessa interface metodológica ampla. A práxis interdisciplinar precisa deixar de ser um discurso teórico abstrato e materializar-se em políticas públicas. O engajamento comunitário deve integrar a base da construção epistemológica, validando saberes locais e tradicionais. A sustentabilidade e a agroecologia exigem respostas rápidas que a compartimentalização das ciências já não consegue suprir. O desafio final é consolidar essa perspectiva como eixo estruturante na formação cidadã e crítica.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?

A excelência na produção textual acadêmica exige rigor metodológico, clareza argumentativa e profundo engajamento com a realidade social. É fundamental manter-se atento e atualizado diuturnamente sobre o cenário político brasileiro e suas transformações institucionais. A leitura constante e o acompanhamento crítico da conjuntura nacional permitem conectar o referencial teórico às demandas concretas do país. A inovação surge da capacidade de articular a pesquisa científica aos desafios contemporâneos vivenciados nos territórios. Recomenda-se uma escrita autêntica que privilegie a problematização dos fatos em detrimento da mera repetição de conceitos abstratos. A lapidação constante das ideias e a revisão textual rigorosa garantem a densidade necessária para publicações de impacto.

Gostou da entrevista? Não esqueça de comentar e compartilhar.

Para mais informações sobre o CAEduca e se cadastrar para novidades, visite o site www.caeduca.com

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *