O entrevistado da vez é Gabriel Ralile de Figueiredo Magalhães.

Gabriel Ralile de Figueiredo Magalhães é Doutorando e mestre em Estudos Marítimos (EGN), MBA/E em Comércio Exterior (UFRJ), bacharel em Direito (UNIRIO) e Relações Internacionais (PUC-Rio). Advogado, internacionalista e pesquisador nas áreas de comércio internacional, economia azul e regulação climática. É coordenador do projeto Braços Abertos da Guanabara (BASG), do Consórcio Cristo Sustentável, Coordenador do GT Oceano e Clima da Rede Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action (LACLIMA) e membro do Grupo Economia do Mar (GEM), tendo também atuado em instituições como FGV Direito Rio e Câmara de Comércio Brasil-Chile.
1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.
Desde cedo tive o privilégio de ser incentivado a estudar e a olhar para o saber como um todo, isto é, observando como distintas áreas se comunicam. Graças à minha família e às instituições de ensino que frequentei, aprendi o valor do conhecimento e a utilizá-lo para trazer contribuições para a sociedade. Isso inclui ter disciplina, organização, vontade de aprender e de fazer sem, contudo, abandonar a ética. Diante disso, fui motivado a buscar uma trajetória interdisciplinar, começando minha carreira na área de Relações Internacionais, passando pelo Direito e finalmente buscando conversar com outros campos do saber. Nesse meio, busquei conciliar qualificação profissional como produção de conteúdo, progressivamente me envolvendo com pesquisas científicas, participando de eventos e colaborando em grupos de pesquisa.
2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?
A interdisciplinaridade do evento e a possibilidade de interação dos mais distintos profissionais e acadêmicos, desde aqueles em começo de carreira aos mais experientes. Nesse âmbito, novos profissionais têm a oportunidade de conhecer os principais debates e discussões que estão sendo travados, a ter uma primeira experiência em um evento acadêmico de relevância e a expandir suas conexões com outros estudiosos. Por outro lado, aqueles mais experientes podem se aprofundar em discussões mais técnicas, ao passo que contribuem para orientar aqueles em início de carreira.
3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?
Conseguir articular dimensões complexas, como justiça social, ética, economia e ecologia, em uma linguagem acessível e bem estruturada cientificamente é um dos principais desafios sob o contexto do GT. Além disso, buscar novos métodos e o diálogo com outras áreas do saber é cada vez mais necessário para o avanço científico. No entanto, o desafio está em justamente transpor nossas áreas de expertise, nossos espaços “de conforto”, de forma assim a gerar pesquisas mais robustas e bem estruturadas.
4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores?
Busquem enxergar o saber não como uma “caixinha” que só pode ser aplicada em determinado contexto. É necessário observar o conhecimento como algo holístico, algo que está inserido no diálogo entre diversos temas e agentes e que, portanto, enseja uma visão interdisciplinar. Além disso, tenham dedicação, comprometimento e organização como ferramentas essenciais, pois a vida acadêmica é corrida, demandante e cheia de prazos. Saber se organizar e ter força de vontade são qualidades necessárias para atender o grande volume de demandas em tempo hábil e prezando pela qualidade. Por fim, não se pode ter medo de errar, pois é um fator inerente ao processo e que contribui para o aprendizado.
Ao mesmo tempo, criatividade não substitui rigor. É preciso ler, dialogar com outros pesquisadores, explicitar escolhas metodológicas e reconhecer os limites daquilo que podemos afirmar. E acrescentaria algo que considero especialmente importante hoje: não tenham medo de ter autoria. Em tempos de inteligência artificial generativa, produzir um texto tecnicamente correto tornou-se relativamente mais fácil; produzir pensamento próprio, intelectualmente responsável e capaz de fazer boas perguntas continua sendo profundamente humano. Um bom trabalho científico deve deixar evidente não apenas o que o pesquisador estudou, mas por que aquilo precisava ser estudado e que nova possibilidade de compreensão sua pesquisa oferece ao mundo.
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