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Entrevista com Patricia Pacheco Rodrigues – Coordenadora de GT do CAEduca 2022

A entrevistada desta vez é Patricia Pacheco Rodrigues

Patricia Pacheco Rodrigues é pesquisadora internacional e pós-graduada em Resolución de conflictos estrategias de negociación y técnicas de mediación pela Universidad de Castilla-La Mancha (UCLM) no Campus Universitario de Toledo – Espanha; Módulo Internacional do Doutoramento pelo Centro di Studi Giuridici Latinoamericano da Universidade de Roma ?Università degli Studi di Roma Tor Vergata? e pela Accademia Juris Roma; pós-graduada em Educação em Direitos Humanos com ênfase em gênero do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismos – PPGNEIM, da Universidade Federal da Bahia- UFBA; pós-graduada em Penal e Processo Penal com Capacitação para Magistério Superior pela Faculdade de Direito Prof. Damásio de Jesus. Apresentou no Seminário Internacional Argentina-Brasil, na Facultad de Derecho de la Universidad de Buenos Aires pela UNINOVE-PPGD. Possui estudo e aplicação Theory and tools of the Harvard negotiation project pelo GNUSP-USP. Foi aluna especial no programa de Pós-Graduação na FDUSP em 2016. Foi de 2010 – 2011 Escrivã de Polícia Civil em São Paulo; 2011 – 2014 Advogada em São Paulo; 2014 – 2016 Delegada de Polícia Civil no Paraná onde acumulou as funções de Delegada Titular e da Cadeia Pública. 

Doutoranda e Mestra em Direito pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE); Delegada de Polícia Civil em São Paulo no Departamento de Inteligência – DIPOL; MBA em Gestão Escolar Usp/Esalq com extensão em Business Strategy pela University of La Verne – Califórnia-EUA; pós-graduanda em Docência para a Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ); apresentou no Seminário Internacional de Pesquisa/Intercâmbio Acadêmico pela UNINOVE-PROGEPE na Universidade Aberta (UAb) – Lisboa, Portugal; événement international “Éducation, genre et migration dans un contexte de discours de haine en ligne” Instituto Bell Hooks e Université Paris 8. Parecerista: Revista científica Dialogia da UNINOVE-PROGEPE (Qualis B1); Revista Brasileira de Segurança Pública (Qualis B1) instituição editora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Coautora no capítulo disponível para download na Amazon: Educação 4.0 e as tecnologias digitais de informação e comunicação, na recente obra: O (re)inventar de práticas pedagógicas com as tecnologias digitais em tempos de pandemia da educação básica ao ensino superior, Paco Editorial: São Paulo, 2022. É também Coordenadora do GT 07 – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, TECNOLÓGICA E DE JOVENS E ADULTOS do CAEduca 2022.

1) Você foi selecionada para coordenar um dos Grupos de Trabalho do CAEduca. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até esta seleção.

A observação direta dos fatos e vivências no lugar de fala como Delegada de Polícia na Delegacia da Mulher geraram expectativas para pesquisar, a fim de trazer um outro olhar, que acredito ser mais realista as necessidades das partes envolvidas neste conflito. Pesquisar esse assunto em que há grande subjetividade, e pairam muitas dúvidas no âmbito da violência doméstica, que acredito estar prejudicando a possibilidade de progressos na resolução desses conflitos.

Desta forma, busco trazer as perspectivas da Segurança Pública para a violência familiar, na concretização da Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006), da prevenção ao enfrentamento das situações de violência, as interações com a vítima, a sociedade e o agressor, questões muito recorrentes na minha atividade como policial, no exercício da função de Escrivã de Polícia Civil em São Paulo, Delegada de Polícia Civil no Paraná e atualmente em São Paulo. Trabalhei mais de cinco anos no plantão da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que atualmente integra a Casa da Mulher Brasileira de São Paulo. Atualmente estou em exercício no Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo – DIPOL, lotada na Delegacia Eletrônica da Mulher, a DDM On-line. Foi a prática do exercício da atividade de Delegada de Polícia da Mulher se confirmando na vida acadêmica.

Fui a primeira colocada, dentre as mulheres, na conclusão do Curso de Formação Técnico- Profissional na Academia de Polícia e, a designação para ter como sede de exercício a Primeira Central de Polícia Judiciária 24 horas na 1ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher foi uma escolha para dar continuidade aos estudos acadêmicos que venho realizando desde a graduação em Direito.

Em 2008, quando da iniciação científica, fiz a minha primeira publicação sobre os direitos da mulher, portanto, acumulo 13 anos de estudos sobre essa temática, que foram aprofundados na dissertação de Mestrado em Direito, e no atual Doutorado. Possuo diversas publicações nesse sentido merecendo destaque o capítulo no livro “Constitucionalismo feminista: expressão das políticas públicas voltadas à igualdade de gênero. 1ªed. São Paulo: Juspodivm, 2019, v. 1, p. 193-214”, prestigiada pela Primeira Seccional de Polícia e, nas mídias sociais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital – DECAP. E a recente organização da obra coletiva “A Constituição por elas: a interpretação constitucional sob a ótica das mulheres”, com quase 3000 páginas, numa coletânea de artigos de mais de 250 autoras para além da Ibero-América, disponível na Biblioteca de e-books da UNINOVE.

Na conclusão, em 2018, da pós-graduação em Educação em Direitos Humanos com ênfase em gênero do PPGNEIM da UFBA, no trabalho de conclusão de curso analisei o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a violência contra as mulheres e na Dissertação do Mestrado em Direito a Mediação Policial nos congressos Ibero-Americanos e da Segurança Pública Brasileira para a violência familiar e, assim tive conhecimento dos desafios ainda enfrentados pelos órgãos públicos para implementação das políticas públicas para mulheres, e da ainda premente necessidade de funcionamento de uma efetiva rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica.

Assim, meu esforço e expectativas, profissionais e acadêmicas, com relação a este Congresso de pesquisa é de trazer aspectos práticos e teóricos sobre os direitos humanos a educação. E demonstrar como a teoria vem em muito contribuindo para minha prática profissional. Na certeza de que também poderei contribuir com a ampliação e fortalecimento das pesquisas e implementação de projetos dentro dos ideais deste seleto Grupo.

2) O que mais lhe chamou atenção no CAEduca?

Venho acompanhando o desenvolvimento do CAEduca desde a época do Mestrado tendo participado de eventos como ouvinte, em que pude constatar o nível grandioso de conhecimento na área, além da prestigiosa divulgação e alcance, hoje já internacional, o que me levaram a instigação de participar na organização, para contribuir nesse crescente desenvolvimento, desde quando ingressei no Doutorado.

3) A temática do seu GT é fundamental para pensar a educação de maneira interdisciplinar. O que você concebe como principal desafio da temática?

Conforme explanei em capítulo do livro “Leituras sobre educação: a voz do professor, Alexa Cultural: São Paulo/Edua: Manaus, 2020”[1]: Para Mário Sérgio Cortella, em entrevista, explorar o empoderamento humano é necessário para circular a informação para que não fique confinada nas universidades e círculos acadêmicos, trazendo a importância aos divulgadores científicos que “estabelecem pontes, estendem o convite, abrem a porta para que a pessoa que não esteja no campo da ciência também possa adentrar o território”, e diz que o principal desafio é “explicar de forma simples, mas não simplória.”

Mas o cenário atual é reflexo de um usuário refém da informação que consome na internet, beirando a loucura, dependente dos conteúdos produzidos por outros usuários, que em muitos casos não são divulgadores científicos, mas meros exploradores superficiais de conteúdo, daí a importância de criteriosa análise da informação, o referido filtro. Daí a necessidade de se questionar a hegemonia decolonial oculta nos currículos escolares que simplesmente propõem uma postura crítica, mas sem instrumentalizá-la na prática. Instrumento de controle social o currículo oculto reforça um poder a ser seguido, já instituído. A reprodução de uma ideologia dominante traz um controle simbólico na cultura escolar que reproduz a manutenção da estrutura social e do status quo pelos próprios/as professores/as, até mesmo de forma inconsciente.

Perdendo a credibilidade nas teorias e a motivação no propósito de ensinar, assim, o/a professor/a é então reprimido e forçado a mera transmissão do currículo escolar. Este que pode trazer um discurso vazio, com predisposição meramente teórica, com falha na vivência e materialidade do conhecimento, e de se promover um aprendizado significativo aos/as alunos/as. Um discurso racional apenas para legitimar o interesse já vigente, um controle simbólico. Diferente na cidadania pedagógica em que discentes e docentes são também responsáveis pela proteção e promoção dos direitos.

Além disso, proporcionar o conhecimento construído no coletivo, que não retira a autoridade do/a professor/a, hoje mais como facilitador das condições de aprendizado. Promover a atuação coletiva de protagonismo, para além do poder de autoridade de um só,  democratização do ensino e aprendizagem colocada nas mãos de todos.

Entende-se que há necessidade de resgatar a autonomia e a emancipação não apenas do/a aluno/a, mas também do/a professor/a em sala de aula, afastando-se do caminho tradicional, do monólogo para o diálogo com a escuta ativa, uma relação dialógica, para proporcionar a mudança de paradigma desta relação ainda vertical, trazendo a proposta da horizontalidade. Da percepção do diálogo em sala de aula para que a pessoa perceba o diálogo no seu cotidiano, e com isso também possa ressignificar a coexistência à convivência, entre o multiculturalismo e a interculturalidade.

[1] RODRIGUES, Patrícia Pacheco. Do ensino remoto emergencial em tempos de pandemia a educação a distância: ressignificando o ensino e a aprendizagem. In Leituras sobre educação: a voz do professor, Alexa Cultural: São Paulo/Edua: Manaus, 2020.

4) Bom, outros pessoas vão se espelhar em você para participarem das próximas iniciativas do CAEduca. Que dica final você daria para que possam produzir textos de qualidade e inovadores

Conforme explanei em capítulo do livro “Leituras sobre educação: a voz do professor, Alexa Cultural: São Paulo/Edua[2]: Aprofundando essa relação de horizontalidade, o/a professor/a além de primeiro filtro ou ponte de transmissão da informação, não é mais único caminho, mas sim aquele que usando ferramentas e métodos para interpretar o conteúdo, oferece o caminho para seleção da informação mais adequada para cada qual, é o já referido “ser simples sem ser simplório”. Mas como fazer a passagem da informação para o conhecimento que proporcione a escolha do caminho a seguir? O uso da linguagem correta de acordo com o público, e o/a professor/a vai conhecendo o seu público pelo diálogo, e assim, estabelece a relação. Dada a mudança na forma da linguagem no ambiente virtual, há uma necessidade de se simplificar o discurso, levando-se em consideração os aspectos linguísticos para quem se fala. O que se propõe é a fusão do conhecimento científico aos vários tipos de conhecimento como popular, filosófico, artístico, entre outros, para que o conteúdo/informação possa transpor a ponte da ignorância. Ser simples, sem ser simplório, pois o que vai transpor a ponte é o conhecimento encaminhado ao/a aluno/a.

Assim a discussão entre tecnologia e cultura, as duas aqui se unem, e a tecnologia não é neutra, mas abre vínculos e transmite a informação criando novas conexões e aberturas, e por isso não deveria ser neutralizada em suas potencialidades, pois diversos são os ecossistemas comunicativos nos quais os usuários imergem. Propõem-se o uso da tecnologia que não resulte em naufrágio ao navegar na rede repleta de informações, muitas vezes contraditórias e facilmente contestáveis tendo o conhecimento científico como um “bote salva-vidas”.

Nesse mundo quase que totalmente digitalizado, permeado quase que constantemente por novas formas de transmissão do conhecimento. O papel das instituições de ensino superior e básico nesse cenário é educar para que as pessoas tenham cada vez mais as competências digitais, para o futuro inteiramente digitalizado.

[2] RODRIGUES, Patrícia Pacheco. Do ensino remoto emergencial em tempos de pandemia a educação a distância: ressignificando o ensino e a aprendizagem. In Leituras sobre educação: a voz do professor, Alexa Cultural: São Paulo/Edua: Manaus, 2020.

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