Entrevista com Fátima G. M. Takahashi sobre o Prêmio CAED-Jus 2021

A entrevistada desta semana é Fátima G. M. Takahashi, vencedora do Prêmio CAED-Jus 2021.

Fátima G. M. Takahashi é doutora em Saúde Pública pela UCES-Argentina/IESLA-MG; Mestra em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília-DF; Pós-graduada em História e Cultura Afro-Brasileira e Africana UFG/GO; Pós-graduada em Educação e Saúde Pública (UNIRP-SP); Pós-graduada em Psicopedagogia (IBPEX-PR); Graduada em Pedagogia (FEPI – Itajubá/MG). Tem experiência na área de Educação e Saúde Pública, é servidora pública da Secretaria Estadual da Saúde (Secretaria Municipal da Saúde em Monte Alegre de Goiás) e é membro efetivo da Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano (ALANEG). É autora do livro “UBUNTU: O imaginário dos idosos Quilombola-Kalunga em Monte Alegre de Goiás” (2020).

Em meio a mais de 650 artigos e resumos que participaram do Congresso Internacional de Altos Estudos em Direito, Fátima G. M. Takahashi foi premiada com o trabalho “A representatividade do ministério público na comunidade quilombola-Kalunga Riachão: um relato”. Concorrendo com inúmeros outros artigos, ela recebeu o Prêmio CAED-Jus 2021.

Confira a entrevista:

1) Você foi selecionada para o Prêmio CAED-Jus 2021. Nos conte um pouco como foi a sua trajetória acadêmica até o Prêmio.

Conheci o CAED-Jus durante a trajetória do meu doutorado, ao pesquisar revistas com o intuito de publicar artigos. No ano de 2020 enviei o artigo “Os Cidadãos Quilombola-Kalunga e as Políticas Públicas em Saúde: Um Silêncio Ensurdecedor” para submissão, que foi aprovado e com essa participação percebi o nível de profissionalismo da equipe do CAED-Jus. A partir de então senti-me incentivada a continuar escrevendo e acreditando na seriedade dessa comunidade cientifica (equipe). No início do corrente ano encaminhei mais um artigo: esse foi apreciado, aceito e selecionado como um dos finalistas para concorrer ao Prêmio CAED-Jus 2021, que para minha surpresa e valorização pessoal e científica fui contemplada. É muito gratificante ser reconhecida por esse trabalho e, principalmente, ter conseguido demonstrar através do artigo e da pesquisa de campo a real situação vivida pelos cidadãos quilombola -Kalunga, tão necessitados da representação do Ministério Público.

A equipe CAEDJus está de parabéns pelo seu trabalho, que é extremamente importante, ao avaliar e validar as produções científicas proporcionando uma integração positiva e valorosa entre pesquisador, equipe e os temas explanados e apreciados, corroborando a partir de conteúdos relevantes levar conhecimento e informação para a busca de soluções.

2) Você acompanhou o CAED-Jus, então presenciou discussões variadas sobre o direito. O que mais lhe chamou atenção no evento?

​No contexto das apresentações dos temas do CAED-Jus foi possível perceber a diversidade de conteúdos relacionados a razão do direito e o direito instituído pela lei.

Como temática principal, no decorrer das discussões, observou-se a ausência do direito para os cidadãos e sua importância. E assim, ao expor a realidade implícita dos problemas, trazendo à tona para o conhecimento e informação de todos, buscar solucioná-los a luz da verdade tendo como objetivo principal o sujeito envolvido nesses contextos.

3) O seu artigo fala sobre a representatividade do ministério público na comunidade quilombola-Kalunga Riachão. As pessoas poderão acessá-lo no livro “Acesso à justiça e instituições jurídicas” do CAED-Jus, mas poderia nos contar em linhas gerais do que ele trata?

​O artigo procura demonstrar como o Ministério Público, considerado guardião dos direitos dos cidadãos brasileiros, está atuando na comunidade Quilombola-Kalunga Riachão, por meio da promotora de justiça pública, que tem efetivado ações positivas contemplando as solicitações das necessidades desses afrodescendentes, com o intuito de resgatar o bem viver e a qualidade de vida, das famílias ali estabelecidas que sofreram e continuam padecendo com a ausência de políticas públicas em saúde. Para fazer/trazer justiça a essa população, o Ministério Público tem buscado conhecer a cultura e as necessidades dos cidadãos, por se tratar de uma comunidade tradicional com suas especificidades, e reconhecido as suas reais necessidades, agrupando em consenso ético o poder executivo, legislativo e judiciário, resguardando os direitos efetivos da lei assim como os direitos civis.

4) Bom, outros educadores vão se espelhar em você para participarem do próximo CAD-Jus. Que dica final você daria para que possam produzir artigos de qualidade e inovadores no direito?

​Ao produzir artigos o pesquisador deve estar sempre atento, como no exemplo a seguir: Para a investigação efetivada na comunidade Quilombola-Kalunga Riachão especificamente, procuro transcrever sempre o que é coletado na pesquisa de campo, tendo olhos e ouvidos atentos quanto a realidade vivenciada pelo sujeito, priorizando a metodologia em um enfoque quanti-qualitativo, objetivando a essência do discurso do sujeito coletivo, buscando a representação social e cultural e seus significados. Fazendo uso constante de uma seleção de bibliografias estudadas, que vão se mesclando e afirmando a reflexão proposta, a luz do senso crítico/ético/humano. Esses dados vão se integrando eclodindo ao conteúdo construindo à (inovação /renovação) através da teoria e da prática, formando assim a epistemologia pura do conhecimento científico.

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