As entrevistadas da vez é Aline Cruz, Maria Gomes Guajajara e Loyde Soares Gomes Guajajara.

Aline da Cruz é doutora em Linguística pela Universidade Livre de Amsterdã. Desde 2012, atua como professora de cursos introdutórios de Linguística e orientadora de estágios. Trabalha com mais de 30 povos indígenas na Licenciatura em Educação Intercultural do Instituto Takinahakỹ (UFG). Loyde Gomes Soares Guajajara é indígena e graduada em Licenciatura em Educação Intercultural pelo Instituto Takinahakỹ (UFG). Entre 2015 e 2017, atuou como professora do Ensino Fundamental II e desde 2018, atua como professora do Ensino Médio na Escola Azuru. A escola está localizada na aldeia Zutiua, no Território Indígena Araribóia, município de Arame (MA) e Maria Gomes Guajajara é indígena, estudante da Licenciatura em Educação Intercultural pelo Instituto Takinahakỹ (UFG) e bolsista do PARFOR-Equidade. Desde 2017, atua como professora no Ensino Fundamental I na Escola Azuru. A escola está localizada na aldeia Zutiua, no Território Indígena Araribóia, município de Arame (MA).
1) Vocês foram selecionados para o Prêmio CAEduca 2025. Nos conte um pouco como foram suas trajetórias acadêmicas até o Prêmio ?
Loyde Gomes Soares Guajajara iniciou sua trajetória docente em 2015, como professora do Ensino Fundamental II na Escola Azuru, na aldeia Zutiua, no Território Indígena Araribóia (MA). A partir de 2018, passou a lecionar Língua Guajajara no Ensino Médio, na mesma escola. Entre 2017 e 2025, conciliou o trabalho docente com a formação em Educação Intercultural, com habilitação em Ciências da Linguagem, pelo Instituto Takinahakỹ (UFG).
Maria Gomes Guajajara atua como professora de Educação Infantil na Escola Indígena Azuru e, em 2025, realizou o sonho de ingressar no Instituto Takinahakỹ (UFG), para assim como sua sobrinha Loyde, estudar a Licenciatura em Educação Intercultural. Da aldeia Zutiua, onde moram, até o campus universitário da UFG são 1700km, que, com determinação, Loyde e Maria percorrem todos os semestres para estudar. Como explica Loyde, ter essa experiência de fazer parte da Educação, me torna não só uma professora, mas também me torna parte de uma trajetória de luta e conquistas, na qual a educação traz um papel importante dessa da nossa comunidade Indigena. De transformação e de preservação de uma identidade e de uma cultura indígena.
Por sua vez, Aline da Cruz atua como professora do curso de Educação em Educação Intercultural desde 2018. Anteriormente, foi professora da Faculdade de Letras (UFG) e realizou sua formação de doutoramento em Linguística na Universidade Livre de Amsterdam. Em seu trabalho com povos indígenas, atuo como professora com os povos Baré, Baniwa e Werekena no Alto Rio Negro (Amazonas), com os Tapeba no
Ceará, e atualmente trabalha no curso de Educação Intercultural da UFG. Todos os semestres, viaja 1.700 km para encontrar seus alunos do povo Guajajara, que vivem em diversas terras indígenas no Maranhão.
2) Vocês acompanharam o CAEduca, então presenciaram discussões variadas sobre a educação. O que mais lhes chamou atenção no evento?
O evento CAEduca é bastante democrático, com a participação expressiva de pesquisadores e professores que atuam em diversas partes do Brasil. Vale ressaltar o empenho da equipe CAE-Educa no reconhecimento de trabalhos que são desenvolvidos ao longo da trajetória dos pesquisadores. Também chama atenção a atuação transdisciplinar dos GT que cobrem uma temática bastante diversificada, com estudos clássicos sobre educação, como educação básica, educação inclusiva e gestão escolar, bem como com a abertura para temas inovadores como cidadania linguística e tecnologias da informação, como a inteligência artificial aplicada à educação.
3) O seu artigo fala sobre A Universidade vai à ALDEIA: Estudo de Caso de Etapa de Formação de Professores Indígenas do Povo Guajajara. As pessoas poderão acessá-lo no livro do CAEduca, mas poderia nos contar em linhas gerais do que ele trata e sua importância para os dias atuais?
Todos os semestres, professoras do Instituto Takinahakỹ (UFG) visitam aldeias indígenas do povo Guajajara, povo indígena da família Tupi-Guarani, para realizar etapas do curso de Licenciatura em Educação Intercultural, que atua na formação de professores indígenas oriundos de mais de 30 povos. Neste artigo, as autoras explicam como funciona a pedagogia da alternância, focalizando em sua atuação na aldeia Zutiua, no Território Araribóia. Mais especificamente, mostram como os professores indígenas buscam na formação universitária, realizada há 1.700 km de distância em Goiânia, estratégias para transformar a educação da aldeia, com um ensino intercultural que permite valorizar a identidade Guajajara, ao mesmo tempo que os
prepara a enfrentar os desafios e lutas para manutenção de seu território.
4) Bom, outros educadores vão se espelhar em você para participarem do próximo CAEduca. Que dica final vocês dariam para que possam produzir artigos de qualidade e inovadores na educação?
Há muito tempo, Liev Tolstói nos ensinou que “se queres ser universal, começa por pintar tua aldeia”. Esse ensinamento de tantos e tantos anos, ainda é bastante útil para escrevermos artigos de qualidade sobre educação. Em cada aldeia, em cada quilombo, em cada escola de periferia, em cada escola que atua com inclusão, há tantas experiências inovadoras realizadas por professoras e professores da educação básica que precisam ser descritas e analisadas criticamente. Em suma, acreditamos que falar sobre as ações que, de fato, contribuem para a transformação da escola nos mais diversos contextos é uma forma de valorizar o trabalho árduo das equipes escolares, e amplificar a voz das comunidades na busca dos direitos à educação de qualidade e à preservação das identidades culturais locais.
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